sábado, 8 de setembro de 2012

Futebol para Autodidata



Atualmente estudo para ser técnico em eletrônica. É um sonho de infância, compreender os caminhos e trilhas existentes na face de cada placa de circuitos impressos, existentes no interior das TVs, rádios, celulares, computadores, etc.
Numa dessas noites, em meio ao velho debate sobre a qualidade (ou falta de) do ensino, os colegas passaram a discutir os gols do fim de semana. Era o time tal que perdeu a final e foi para “segundona”… O tema foi empolgante e acirrado. Cada colega zombava das desventuras dos times adversários, e as piadas e gargalhadas davam o tom do momento.
Mas o que percebi, num passe, na pequena área, foi o grau de conhecimento que cada um deles detinha a respeito de seus times. O nome de todos os jogadores, de ex-jogadores, os técnicos, os presidentes. Sabiam dar datas de grandes conquistas, de campeonatos e resultados. Contavam a história das agremiações como se fosse um relato de suas próprias aventuras. E com precisão de dar inveja.
De repente, um holofote de dúvidas explodiu na minha frente. Como eles sabem tanto? Qual era a mágica que os leva a buscar tal conhecimento?  
Essas questões brotaram ao comparar outros momentos, em sala de aula, em que elementos básicos de conhecimento, que deveriam ter sido adquiridos ao longo do primeiro e segundo graus, como a lei de ohm, princípios elementares da matemática, da física, e tantos outros itens, foram tratados como enigmas de outras eras. O que se dizia a respeito é que: “‘tal coisa’ não lembro!” “Isso ai eu não aprendi!” “Para que serve?”.
É claro que sei que o “futebol é a paixão nacional!” Ainda mais, com milhões e milhões de reais investidos na sedução, desde tenra idade, do brasileiro para consumir, sim, consumir esse nosso produto tipo exportação que é a saga Bola x 44 pernas… Assim fica difícil competir Vontade de Aprender X Partida do Timão!
Mas há uma lição positiva que podemos copiar dos fãs do futebol: o estar atento, focado, buscando tudo o que tem haver com o seu time preferido. Sim, ele o torcedor, escuta, lê e fala sobre futebol! É um autodidata futebolístico!
Creio que é uma boa ideia virar fã! E dedicar tempo, atenção, e entusiasmo. Sim, escutar, ler, e falar sobre as coisas. No meu caso, sobre o sonho de ser Técnico em Eletrônica. Ou melhor, um Engenheiro!
Bola pra frente!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sete de setembro de dois mil e doze

Estava pensando neste dia e em seu significado.
Na rua, o barulho da fanfarra da escola, que se prepara para ir ao desfile. Que barulho chato! Deus! Será que estou ficando um velho ranzinza, será?
Onde estudo, hoje chamada de pós-médio, período noturno, o coordenador do nosso curso andou passando nas salas, no decorrer da semana, buscando voluntários para “marchar pela escola”. Oferecia inclusive dois pontos na média em duas disciplinas distintas e a nossa escolha.
É o patriotismo da vantagem e do interesse! Ou será mera coincidência estarmos em época de campanha eleitoral, para os significativos cargos de vereadores e prefeito de nossas cidades, e o súbito e nada coerente ataque de civismo dos dirigentes da escola?
Sim pode ser!
Mas fiquei matutando o tal “dois pontos na média”.
Qual o preço de ser um bom aluno?
De encarar um dia de trabalho, e deixar filhos com filhos, e dedicar suas noites de segunda a sexta feira, para ouvir, ver e perceber a falta de preparo de alguns educadores? De constatar que o conteúdo básico de cada disciplina passa longe das salas de aulas e dos programas de ensino tão bem emoldurados em documentos oficiais encadernados com espirais, que lembram muito a espiral de uma viagem do faz de conta.
O faz de conta que as escolas recebem verbas suficientes para manter seus cursos, o faz de conta de professores admitidos em caráter temporário que complementam suas rendas com o “bico” da educação. O faz de conta de alunos que reclamam dos eventuais atrasos do corpo docentes, mas sentem um irresistível prazer em “matar” aula.
Em verdade, creio que não exista um “preço”.
O valor de ser alguém que não se venda, que não se entregue ao desanimo e a descrença. Que apesar do mínimo oferecido pelo nosso sistema educacional, persista no sonho, na vontade íntima de ser a diferença. Nem que para tanto, tenha que mergulhar na ineficiência que teima reinar na educação, e apesar da água suja que possa engolir, vai atingir a outra margem. E saíra caminhando, sem muletas ou apadrinhamentos. E sem os tais dois pontos na média…
E viva o dia da independência!