segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Breve relato de uma história patética



Caros leitores, saudações!
O que segue é um breve relato, não uma epopeia. É um fragmento da vida alheia. E como tal, retrata a vivência de qualquer indivíduo, conhecido ou não; ou, ainda, a do caro leitor ou leitora.
Então, vamos aos detalhes dessa desventura.
Há tempos um homem, nosso anti-herói,  e uma bela, inteligente, atraente e gostosa mulher, nossa heroína, restabeleceram contato via redes sociais.
Em suas conversas, sempre amáveis e cordiais, foram aquecendo os espíritos, e convites para sair e ampliar e aprofundar a relação foram surgindo e postergados por agendas corridas e ou crises de sinusites.
Os diálogos mantidos via telefone ou, nas eventuais idas de nosso amigo ao “gabinete” da bela menina — esclarecendo: a nossa heroína é presidente ou presidenta, como preferirem, de uma entidade de classe —.
Nosso anti-herói não apreciava ir ao gabinete. Tinha a impressão incomoda de invasão. E acreditava que lá a bela menina não tinha espaço para ser a mulher doce e sensual do Skype. E ficava limitada aos protocolos de presidenta.
Apesar disso tudo, os contatos virtuais ou não e a releitura das mensagens davam a impressão que a menina presidenta estava, como ele, disposta a estabelecer um relacionamento, diferente dos banais “pega e come”.
Esse pensamento era fortalecido quando ela se dizia frágil em termos amorosos. E dava indícios de ter passado por decepções. O que para ele representavam um elo em comum.
Imagine então, — em outra oportunidade, explico ao caro leitor, porque a palavra “então” é significativamente tão cômica para esse autor —, como foi ouvir da menina, o relato da perda de sua genitora, pelo mesmo mal que hora atinge o pai de nosso amado anti-herói.
Então... Sempre esse então!
O homem, crendo que novas iniciativas poderiam criar um ambiente mais leve e original, elaborou uma gincana.
Sim, que tal passar em três lojas: Cacau Show, Orpanel Joalheria e Casa das Flores, e adquirir alguns presentes simples: doces, pulseira e um belo vaso com flores. Cada qual, acompanhado de um cartãozinho, descrevendo os passos que nossa Heroína deveria dar para alcançar cada presente. Além de frases de estima e provocações típicas em brincadeiras como essas.
Nosso anti-herói estava feliz por poder criar algo alegre e ansioso nas possibilidades do encontro final. Ops! Esqueci-me de dizer, no fim, no último cartão, além das flores, um convite para saírem juntos, rir, jantar e dar vazão ao que fosse do desejo de ambos.
Era sexta-feira, dia 18.
Eis que ele, aflito em por tudo em ordem resolve ligar, às 13h23min, para a menina, que tinha despertado seu interesse.
A eficiente recepcionista T atende e diz que vai checar se a sua presidente já havia chegado. Após alguns instantes, retorna dizendo que não. Ele pergunta se ela retornaria por volta das 14 horas. Outra negativa, seguida da informação muito precisa de T de que a presidenta já teria outro compromisso... Rapidamente propõe ele, que a jovem T anote seu número de celular, e que repassasse o mesmo para a bela heroína dar um “toque” assim que fosse possível.
Dividido entre pensamentos a respeito da empreitada que a heroína enfrentaria para cumprir a gincana, e com a necessidade de visitar um de seus alunos que há mais de 30 dias estava internado, tratando os pulmões e, nos trabalhos que deveria executar, ainda naquele dia.
Perto das 15 horas, sem receber nenhuma ligação, resolve nosso intrépido e inadvertido anti-herói seguir rumo ao gabinete, para deixar o primeiro envelope que continha as instruções para atingir à primeira loja. Cogitando, deixar tudo com a fiel recepcionista T, com a advertência que a bela presidenta deveria receber o quanto antes o envelope, chega à entrada, e ouve vozes, rindo, entre elas, a voz da bela heroína.
Ele olha T, que sem jeito, fica com cara de tacho vazio. Mas logo questiona o que ele deseja. Assim ele informa a necessidade de falar com a bela heroína.
De lá, da sala, as vozes, num borbulho do tipo:
— que saia justa!
— o que fazer?
Ele sente, subindo de suas entranhas, um grito troglodita: “Seu idiota!”
Então passa a rir da situação criada. Ativando os poucos neurônios disponíveis no momento para encontrar um caminho menos constrangedor a seguir.
Nisso, uma das auxiliares da heroína surge à porta e pergunta o que deseja, ele repete que quer falar com a presidenta.
Por fim, já diante de nossa heroína, que sorridente e aparentando uma tranquilidade pastel, que só é quebrada ao rasgar o envelope, que acabara de receber das mãos do atônito homem.
Ao ler as poucas linhas da carta, que neste momento já deixou de ter sentido para nosso anti-herói, a bela menina, faz elogios à criatividade dele, e se diz uma ótima detetive, e que certamente encontrará os locais dos presentes.
Fazendo o jogo dela, ele retribui falando que isso é coisa de um homem que gosta de matemática e de teatro. Ela, de maneira intempestiva, afirma não gostar de matemática — caros leitores e leitoras, isso é algo muito estúpido para dizer a um homem que atua como professor de matemática, e que esta lhe cortejando. Por favor, não cometam a mesma gafe.
A jovem auxiliar, que até então fazia a guarda de nossa heroína, observando o nosso anti-herói como se esse fosse um “devorador de almas”. Questiona a possibilidade de sair. Que é prontamente autorizada por sua presidente que se julga segura e com o controle da situação.
Deus! Se não fosse verdade, seria muito engraçado!
Assim, nossa amada heroína segue com assuntos nada pertinentes ao projeto de nosso amigo e putiado anti-herói. Coisas como a história de um professor que de forma muito educada e civilizada, escracha com a cara do Governador do estado, durante uma solenidade, que por desventura teria ocorrido no antigo local de estudos do valente homem.
Numa última tentativa, dando oportunidade da heroína retratar ou assumir uma postura mais respeitosa, ou menos absurda, ele pergunta se está atrapalhando. Ela responde que não! E alega ser “uma mulher que o que tem que falar, fala”!
Dito isso, eles se despendem, com cordiais beijos e leve e distante abraço.
Leitores e leitoras qual a razão de um tratamento tão tipicamente politiqueiro, tosco e sem a menor consideração? Ainda mais, vindo de uma mulher? Já que são as mulheres que muitas e muitas vezes reclamam que: “faltam homens no mercado!”. E não são quaisquer homens! Tem que ser homem preocupado em construir uma vida, e não só com o que vão ter que fazer para levar alguém para cama. Ou ainda, homens atentos aos detalhes dos gestos e vestimentas de suas companheiras. Homens que tenham algum conteúdo, além de seus egos. Homens carinhosos, porém com pegada!
Mas, justamente são essas mesmas mulheres que repetem atitudes e comportamentos ditos exclusivos dos homens. E que, verdadeiramente, representam uma total falta de respeito ao semelhante.
Que tal simplificarmos tudo? Abandonar as máscaras e dizer simples verdades. Do tipo: não estou afim. E não quero te enrolar.
Sábado, à tarde, o famigerado devorador de almas recolhe os doces, e os entrega ao deleite de seu filho.
Domingo, rabisca essas linhas.
Segunda-feira, de manhã, retorna ao gabinete, para entregar novo envelope. Agora contendo um breve relato de uma história patética.
Parte rumo às demais lojas.
A pulseira dá de presente para sua filha. As flores são presenteadas, de bom grado, à primeira moça que avista na rua.
Por fim, inicia sua jornada, sem a heroína. Mas aliviado! E com a certeza de ter escrito mais um capítulo em sua existência. E virado a página.

20/10/2013.


Eu!

Nenhum comentário:

Postar um comentário