terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Ação Penal 470 e a Espada da Justiça.



        A Ação Penal 470, muito conhecida como “mensalão” é, ao meu ver, a possibilidade histórica da redenção, em parte, do judiciário brasileiro. 

     É notória a covivência de muitas das instituições publicas brasileiras com a corrupção e o ilícito, em especial a camada política. E isso vem se propagando a gerações. Mesmo em épocas de Brasil colônia já se tem notícias de tais ocorrências.

            No caso da ação penal 470, o que fica claro é a incompetência marginal de um grupo, que recém assumiu o poder, e na tentativa de permanecer no mesmo, ingressa no ambiente nefasto da corrupção.  Fazendo uso dos mesmos mecanismos, já existentes e tão utilizados pelos seus antecessores, como instrumentos de manipulação e de exercício da politicalha.

            Com isso, os adversários do grupo em questão, acabam por se fartar de argumentos, numa hipócrita pantomima de acusações. Na pretensa ilusão de convencer o povo brasileiro, de que são anjos justiceiros. Mas que na verdade, sob o olhar apurado, acabariam merecedores do status de réus em questões idênticas ao da Ação Penal 470.

          Tá mais do que na hora de corrupto, seja ele quem for, sentir o peso da espada de nossa amada, e por vez, capenga justiça.

domingo, 9 de setembro de 2012

Qual a cor de seu conceito





        Dias atrás, tive uma pequena discussão com uma moça que gosto muito. Ela comentou que era “racista”, que não gostava dos chineses. E argumentou falando de como eles tratam suas crianças, e por comerem cães (ela adora animais). E tantas outras coisas. Para nosso azar, estava em plena crise de TPM - “Testosterona Power Mix”, ou simplesmente, a TPM masculina. E ai, que o bicho pegou. Fiquei indignado. Quis por que quis fazer ver o quanto aquilo era errado. O quanto o pré-conceito é nefasto, e pode afetar as vidas das pessoas, em especial a das chamadas minorias (Homossexuais, negros, amarelos, etc). No fim, nos despedimos, a conversa foi por celular, acabou com gosto amargo de nada resolvido.

           Percebi que faltavam palavras e dados para justificar o que, para mim, é evidente: o racismo existe em nosso país, e é errado!

            Neste feriadão, passei então a ler sobre o assunto. Baixei dois artigos da internet, um é do professor e sociólogo Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, denominado: “Preconceito de cor e racismo no Brasil”. O outro, “O desafio de eliminar o racismo no Brasil: a nova institucionalidade no combate à desigualdade racial” de Alexandre Ciconello.

            No primeiro, muito bem escrito, numa linguagem erudita e acadêmica, (aqui devo confessar que terei de reler o texto pelo menos mais umas cinco vezes para assimilar tudo). Que o tema racismo há muito é estudado. E que o Brasil serviu de “laboratório”, para pesquisas norte americanas e europeias. Já que para eles, o Brasil com sua historia escravista, e uma população formada por 50% de descendentes dos povos africanos, e mesmo assim, não exibia os conflitos tão marcadamente violentos de segregação racial existentes em seus países. Era algo impar a ser estudado. A grosso modo, a ideia era entender como era possível, no Brasil, “raças” diferentes conviverem tão bem, sem o desejo macabro de pendurar alguém numa cruz e tacar fogo, só porque era de outra cor.

          Assim, entre uma teoria e outra, surgiu e se transformou em ideologia: a da democracia racial. Que, pelo que entendi até o momento, é a responsável em se acreditar, em nosso país que “o problema, dizem, não é o racismo, é a pobreza; as desigualdades não são raciais, são sociais”.

           Conforme Alexandre Ciconello, em seu estudo de caso, no qual aponta que “O racismo é identificado e reconhecido pela população brasileira. Uma pesquisa de opinião realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2003 (Santos & Silva, 2005), demonstra que 87% dos brasileiros/as admitem que há racismo no Brasil, contudo apenas 4% se reconhecem como racista. Podemos extrair duas consequências desses dados: a primeira é que o racismo existe não pela consciência de quem o exerce, mas sim pelos efeitos de quem sofre seus efeitos. A segunda consequência é que o racismo no Brasil, embora perceptível, se localiza sempre no outro, nunca nas práticas cotidianas de seus agentes, o que torna ainda mais difícil sua superação.”
E ainda mais, Ciconello escreve: “nos shopping centers de elite, onde os trabalhadores negros são confinados em postos de vigias ou faxineiros e raramente empregados em atividades de atendimento ao público; na programação televisiva, onde os negros/as, quando aparecem, ocupam as tradicionais posições de subordinação (a empregada doméstica, o bandido, a prostituta, o menino de rua, o segurança); nas piadas e expressões de cunho racista sempre presentes nas reuniões de família brancas. Expressões como “não sou racista, mas nunca aceitaria meu filho ou filha se casando com um negro/a” são comuns no Brasil”.

“negros nascem com peso inferior a brancos, têm maior probabilidade de morrer antes de completar um ano de idade, têm menor probabilidade de freqüentar uma creche e sofrem de taxas de repetência mais altas na escola, o que leva a abandonar os estudos com níveis educacionais inferiores aos dos brancos. Jovens negros morrem de forma violenta em maior número que jovens brancos e têm probabilidades menores de encontrar um emprego. Se encontrarem um emprego, recebem menos da metade do salário recebido pelos brancos, o que leva a que se aposentem mais tarde e com valores inferiores, quando o fazem. Ao longo de toda a vida, sofrem com o pior atendimento no sistema de saúde e terminam por viver menos e em maior pobreza que brancos”.  (IPEA 2007, p. 281).

           Na minha infância e adolescência, parte dos meus amigos, vizinhos e conhecidos eram negros.  E cresci achando que tudo era igual.

         E, assim, ao escutar alguém tratar um colega, sendo este visto como querido e camarada, de “negão” e não pelo nome, fico chateado por ele. Quando escuto alguém, de cor branca, falar: “eles, os negros é que são racistas!” fico chateado com ele.            

        Mas, hoje, ao perceber nas práticas cotidianas da grande maioria, o pré-conceito de cor, de sexo, de religião, de orientação sexual, e de tantas outras coisas, fico pensando no que posso fazer para meus filhos serem diferentes da maioria. Talvez falar abertamente, reconhecer e apontar a existência de tal doença – o pré-conceito. 
         O que sei é que não vou permitir vestir ou vestirem os meus com o véu da ilusão.  



sábado, 8 de setembro de 2012

Futebol para Autodidata



Atualmente estudo para ser técnico em eletrônica. É um sonho de infância, compreender os caminhos e trilhas existentes na face de cada placa de circuitos impressos, existentes no interior das TVs, rádios, celulares, computadores, etc.
Numa dessas noites, em meio ao velho debate sobre a qualidade (ou falta de) do ensino, os colegas passaram a discutir os gols do fim de semana. Era o time tal que perdeu a final e foi para “segundona”… O tema foi empolgante e acirrado. Cada colega zombava das desventuras dos times adversários, e as piadas e gargalhadas davam o tom do momento.
Mas o que percebi, num passe, na pequena área, foi o grau de conhecimento que cada um deles detinha a respeito de seus times. O nome de todos os jogadores, de ex-jogadores, os técnicos, os presidentes. Sabiam dar datas de grandes conquistas, de campeonatos e resultados. Contavam a história das agremiações como se fosse um relato de suas próprias aventuras. E com precisão de dar inveja.
De repente, um holofote de dúvidas explodiu na minha frente. Como eles sabem tanto? Qual era a mágica que os leva a buscar tal conhecimento?  
Essas questões brotaram ao comparar outros momentos, em sala de aula, em que elementos básicos de conhecimento, que deveriam ter sido adquiridos ao longo do primeiro e segundo graus, como a lei de ohm, princípios elementares da matemática, da física, e tantos outros itens, foram tratados como enigmas de outras eras. O que se dizia a respeito é que: “‘tal coisa’ não lembro!” “Isso ai eu não aprendi!” “Para que serve?”.
É claro que sei que o “futebol é a paixão nacional!” Ainda mais, com milhões e milhões de reais investidos na sedução, desde tenra idade, do brasileiro para consumir, sim, consumir esse nosso produto tipo exportação que é a saga Bola x 44 pernas… Assim fica difícil competir Vontade de Aprender X Partida do Timão!
Mas há uma lição positiva que podemos copiar dos fãs do futebol: o estar atento, focado, buscando tudo o que tem haver com o seu time preferido. Sim, ele o torcedor, escuta, lê e fala sobre futebol! É um autodidata futebolístico!
Creio que é uma boa ideia virar fã! E dedicar tempo, atenção, e entusiasmo. Sim, escutar, ler, e falar sobre as coisas. No meu caso, sobre o sonho de ser Técnico em Eletrônica. Ou melhor, um Engenheiro!
Bola pra frente!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sete de setembro de dois mil e doze

Estava pensando neste dia e em seu significado.
Na rua, o barulho da fanfarra da escola, que se prepara para ir ao desfile. Que barulho chato! Deus! Será que estou ficando um velho ranzinza, será?
Onde estudo, hoje chamada de pós-médio, período noturno, o coordenador do nosso curso andou passando nas salas, no decorrer da semana, buscando voluntários para “marchar pela escola”. Oferecia inclusive dois pontos na média em duas disciplinas distintas e a nossa escolha.
É o patriotismo da vantagem e do interesse! Ou será mera coincidência estarmos em época de campanha eleitoral, para os significativos cargos de vereadores e prefeito de nossas cidades, e o súbito e nada coerente ataque de civismo dos dirigentes da escola?
Sim pode ser!
Mas fiquei matutando o tal “dois pontos na média”.
Qual o preço de ser um bom aluno?
De encarar um dia de trabalho, e deixar filhos com filhos, e dedicar suas noites de segunda a sexta feira, para ouvir, ver e perceber a falta de preparo de alguns educadores? De constatar que o conteúdo básico de cada disciplina passa longe das salas de aulas e dos programas de ensino tão bem emoldurados em documentos oficiais encadernados com espirais, que lembram muito a espiral de uma viagem do faz de conta.
O faz de conta que as escolas recebem verbas suficientes para manter seus cursos, o faz de conta de professores admitidos em caráter temporário que complementam suas rendas com o “bico” da educação. O faz de conta de alunos que reclamam dos eventuais atrasos do corpo docentes, mas sentem um irresistível prazer em “matar” aula.
Em verdade, creio que não exista um “preço”.
O valor de ser alguém que não se venda, que não se entregue ao desanimo e a descrença. Que apesar do mínimo oferecido pelo nosso sistema educacional, persista no sonho, na vontade íntima de ser a diferença. Nem que para tanto, tenha que mergulhar na ineficiência que teima reinar na educação, e apesar da água suja que possa engolir, vai atingir a outra margem. E saíra caminhando, sem muletas ou apadrinhamentos. E sem os tais dois pontos na média…
E viva o dia da independência!