Ao
Ilmo. Prof. Dr. Sebastião Soares
Diretor do Centro Tecnológico da Universidade Federal de Santa Catarina — UFSC.
Ilha de Santa Catarina.
Ref.: Dúvidas relativas à inexistência de cursos de Engenharia no período noturno.
Saudações senhor professor.
Inicio esta, informando que no dia 23/02, do corrente ano, encaminhei ao seguinte e-mail: soares@ens.ufsc.br uma solicitação, de igual teor, a respeito à questão em epigrafe. Não obstante, até a presente data, não houve resposta à solicitação.
Em 2004, fui aprovado no concurso vestibular para o curso de graduação em matemática, licenciatura, período diurno, da UFSC. Infelizmente, não houve a possibilidade de dar sequência aos estudos. Atualmente, frequento a última fase do curso Técnico em Eletrônica, do Centro de Formação Profissional Diomício Freitas, de Tubarão / SC. E, por três décadas, cultivo o sonho de ser um engenheiro em eletrônica.
Sendo assim, permito exercer o direito de questionar, valendo desta correspondência, o porquê que, entre os treze cursos de graduação, do Centro Tecnológico, ofertados pela instituição UFSC sejam eles: Arquitetura e Urbanismo, Ciências da Computação, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Controle e Automação, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Eletrônica, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Engenharia Química, Engenharia Sanitária e Ambiental, Sistemas de Informação. Tão somente este último, Sistemas de Informação, funciona no período noturno? Chamo a atenção que os demais cursos estão à disposição em sua maioria, nos períodos matutino e vespertino, ou ainda, em período integral, conforme consta do site da própria universidade.
Esclareço que meu questionamento reside no fato de que grande maioria dos homens e mulheres, entre 25 e 45 anos, que trabalham durante o dia, em horário comercial, são na prática excluídos da possibilidade de ascensão sociocultural e econômica que pode ser atingida com a educação de nível superior. Credito essa afirmação à impossibilidade da maioria dos trabalhadores em cursar uma graduação no período diurno, em instituições públicas, ou ainda, pela cobrança de mensalidades, nas particulares, cujos valores altos, para o padrão do brasileiro assalariado, inviabilizam investir em cursos de seus interesses.
Quando escrevo “cursos de seus interesses”, grifo a ideia de que para um cidadão buscar o algo mais, mesmo após um dia, muitas vezes exaustivo de trabalho, é necessário à motivação, o desejo de realizar um sonho, de construir um presente e futuro melhor via uma carreira de sua preferência. E não, simplesmente, para atender uma conveniência de mercado.
Sendo assim, outro ponto, que preocupa e desalenta, é que grande parte destas pessoas acabam optando em cursar o que é possível naquele momento. E não o que de fato desejam e para o que são vocacionados.
Com tudo isso, outra dúvida que permeia é se na verdade o dinheiro público vem mantendo benefícios aos filhos de camadas sociais mais abastadas, em detrimento da maioria da população, que paga impostos exorbitantes. E se assim o é, qual sua orientação para superar tal fato e poder usufruir de um ensino de qualidade?
No aguardo.
Cidadão Brasileiro
Atenciosamente,
Algacyr Vieira.
Saúde e Sucesso Sempre!
